Descrição do Encontro

      A FINEP está financiando o projeto “Estudo de Ciclones no Atlântico Sul e Impactos na Costa do Estado do Rio de Janeiro”, sigla CICLONES, visando reunir o conhecimento nacional e internacional sobre os ciclones oceânicos, incluindo os furacões, e canalizar este conhecimento em prol da preservação das construções costeiras, atividades portuárias, turismo, navegação oceânica e prospecção de petróleo no mar, entre outras. Como parte deste projeto, prevê-se a realização de um encontro no qual os especialistas, tanto do próprio projeto quanto convidados externos, possam compartilhar experiências e conhecimento em favor dos objetivos do projeto e, principalmente visando os benefícios que as diversas atividades econômicas e populações vulneráveis aos ciclones possam auferir como resultado da pesquisa.

      Os objetivos científicos e de prevenção de riscos do projeto CICLONES se coadunam com alguns dos objetivos e proposições do projeto internacional denominado THORPEX, sob os auspícios da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que tem como meta principal acelerar as melhorias na acurácia das previsões das condições meteorológicas de alto impacto, como os ciclones tropicais e extratropicais. Além disto, o Brasil tem demonstrado, através de suas comunidades de meteorologia e oceanografia e também na área da engenharia costeira, grande maturidade nestas áreas do conhecimento e da aplicação.

      Foi realizado no Rio de Janeiro, no período de 19 a 21 de maio de 2008, um encontro de pesquisadores, engenheiros e estudantes do Brasil, Estados Unidos da América, Austrália e de países do Cone Sul, especialistas e interessados na previsão de trajetórias e intensidade de ciclones oceânicos e na mitigação dos efeitos da aproximação desses ciclones, inclusive furacões, nas áreas costeiras. 

Importância científica do evento

      O sucesso da previsão numérica do tempo representa uma das mais significativas conquistas no âmbito científico, tecnológico e social do século vinte. Apesar do notável aumento na habilidade de previsão alcançado nos últimos 25 anos, há ainda a necessidade de mais desenvolvimento, particularmente na acurácia das previsões dos fenômenos meteorológicos de alto impacto e no uso da informação da previsão do tempo. Os ciclones, sejam de latitudes médias ou tropicais, são altamente impactantes sobre a vida e as atividades do homem, principalmente do homem urbano que vive nas cidades litorâneas. As dificuldades na previsão do ciclone Catarina estão fortes nas mentes dos brasileiros, apontando para a necessidade de se conhecer melhor os processos físicos e a modelagem numérica, associados a este tipo de fenômeno, permitindo antever as suas trajetórias e intensidade e, assim, atenuar os seus efeitos danosos.

      A costa brasileira e, em especial o estado do Rio de Janeiro, podem se tornar altamente vulneráveis a ciclones que se desloquem do Oceano Atlântico para o continente, o que justifica cientificamente todo empenho em estudá-los. Duas grandes dificuldades se interpõem aos esforços no sentido de habilitar os modelos numéricos já amplamente utilizados no Brasil para a previsão da intensidade e das trajetórias dos ciclones: primeiramente é preciso que dados atmosféricos, na escala espacial adequada, sejam oferecidos aos modelos como condição inicial para a previsão. No caso dos ciclones é extremamente difícil e dispendiosa a obtenção destes dados, aparecendo como alternativa o uso de dados sintéticos ou "bogus". Em segundo lugar, os próprios modelos são concebidos de forma a filtrar os dados que apresentem gradientes muito intensos, evitando assim o surgimento de ondas de gravidade espúrias. Assim, modelos que se proponham a simular e prever ciclones devem ser adaptados para que este processo de rejeição de dados aparentemente errôneos não venha a ocorrer.